NOSSO GUARÁ http://nossoguara.org Portal da Comunidade Mon, 09 Feb 2026 14:47:28 +0000 pt-PT hourly 1 https://wordpress.org/?v=6.9.1 248623662 Aviões perturbam a paz dos guaraenses http://nossoguara.org/avioes-perturbam-a-paz-dos-guaraenses/ Thu, 05 Feb 2026 14:02:02 +0000 https://nossoguara.org/?p=366 Os moradores do Guará II vêm enfrentando um grave problema de poluição sonora provocada por aeronaves de grande porte que decolam do Aeroporto Internacional de Brasília e sobrevoam áreas residenciais em baixa altitude. Todos os dias, pontualmente as 8 horas da manhã, as turbinas começam a perturbar o cotidiano da nossa população. São dezenas de aviões por hora, muitas vezes decolando um depois do outro, afetando o descanso, a saúde e a qualidade de vida dos moradores, inclusive os estudantes. A maioria dessas aeronaves pertence à Gol Linhas Aéreas.

Blindagem Institucional

Diante desse cenário, os moradores tem buscado os canais institucionais para registrar reclamações e obter esclarecimentos. No entanto, a tentativa de solucionar esse problema tem sido extremamente frustrante. A Inframerica, concessionária responsável pela administração do aeroporto, sequer respondeu aos e-mails enviados (ouvidoria@inframerica.aero), e seu site não gerou qualquer protocolo de reclamação. A Gol Linhas Aéreas, por sua vez, não disponibiliza canais com seres humanos para esse tipo de demanda, restringindo o atendimento a sistemas de inteligência artificial que não oferecem respostas efetivas sobre como a sociedade civil deve proceder.

A tentativa de diálogo com a Agência Nacional de Aviação Civil (ANAC), órgão regulador do setor, também revelou dificuldades. Mesmo com canais oficialmente disponíveis, foi necessário mais de uma semana para conseguir contato com um atendente humano, e não foi por telefone, e sim por whatsapp. Mais uma vez, nenhum numero de protocolo para registro da reclamação foi gerado, o que nos faz concluir que o setor aeronáutico não vê necessidade alguma de dar uma resposta para as demandas da sociedade civil, sendo que elas foram criadas justamente para regular, fiscalizar e prevenir os impactos das operações aeroportuárias sobre áreas urbanas densamente povoadas, como é o caso do Guará II. Inclusive o próprio DECEA, Departamento de Controle do Espaço Aéreo, ignorou nossa mensagem, não dando qualquer orientação por intermédio de seu contato (faleconosco@decea.gov.br)

Todas as informações que dispomos foram coletadas pelos próprios moradores que estão empenhados a colocar um ponto final nesta falta de respeito com o Guará II. Sabemos que as decolagens acontecem em “leque” ou seja: Três ou quatro trajetórias alternando-se repetidamente, durante uma hora consecutiva pela manhã, e duas horas consecutivas no período da noite, com algumas decolagens na madrugada. Entretanto, o critério adotado pelo Aeroporto segue uma incógnita devido à péssima comunicação da Inframérica, bem como as medidas necessárias para que a população guaraense tenha seu sossego de volta.

Sabemos também que existe uma alternativa para esse infortúnio, posto que há dois anos atrás esse desagradável fenômeno não ocorria. É preciso tomar uma atitude, apesar dos obstáculos que as instâncias administrativas impõem para a interlocução com a sociedade.

As decolagens noturnas se tornaram rotineiras, inclusive depois das 22 horas

O que os moradores do Guará II reivindicam é o respeito ao direito constitucional ao meio ambiente equilibrado e à saúde. É legítimo exigir revisão de rotas de decolagem, estudos atualizados de impacto acústico e medidas reais de mitigação do ruído aeronáutico. A ausência de canais eficazes de escuta apenas reforça a necessidade de tornar pública essa situação e de buscar, de forma coletiva, soluções junto aos órgãos competentes, ao Ministério Público e à imprensa.

É importante frisar que os níveis de ruído considerados toleráveis e seguros para a audição humana giram em torno de até 50 a 60 decibéis para areas residenciais. Um avião decolando gera um ruído ACIMA DE 120 DECIBÉIS, ou seja, o dobro do permitido. Além disso, a turbina do avião libera uma quantidade imensa de gases tóxicos com metais pesados tais como chumbo, monóxido de carbono, dióxido de carbono, ozônio, nitrogênio e enxofre, sendo o meio de transporte mais poluente do planeta.

Para não falar do risco de acidentes, que infelizmente é uma realidade crescente no Brasil, segundo os dados oficiais da FAB.


2021: 141 acidentes / 60 mortes

2022: 138 acidentes / 49 mortes

2023: 155 acidentes / 77 mortes

2024: 175 acidentes / 152 mortes

2025: dados ainda não divulgados


A população do Guará II merece respeito e lutará pelo seu sossego, saúde e segurança. Não iremos nos submeter à decisões aleatórias de outras Regiões Administrativas ( Lago Sul ) que afetam negativamente nossa já famosa qualidade de vida. Exigimos RESPOSTAS da Inframérica, da Gol Linhas Aéreas, da Anac, posto que nenhum canal digital se prestou ao trabalho de justificar o motivo do Guará II se tornar rota de decolagem de aviões.

Queremos avaliar se as decolagens que sobrevoam o Guará II estão de acordo com o RBAC (Regulamento Brasileiro da Aviação Civil), elaborado pela ANAC. É preciso que a sociedade civil guaraense tenha acesso às informações sobre quantos aviões estão decolando por cima das nossas casas todos os dias, semanas e meses. Não iremos normalizar a poluição sonora que até alguns meses atrás não se configurava como problema na nossa rotina, e caso haja dificuldade para a solução do problema, acionaremos o Ministério Público para uma indenização a ser distribuída entre as prefeituras das quadras mais prejudicadas.

Tabela de contatos para registro de reclamações:

Órgão / EmpresaContato principalObservação
Gol Linhas Aéreas – SAC Reclamações0800-704-0465Melhor chance de humano para reclamações gerais
Gol Atendimento geral0300-115-2121Ligação paga, fica tocando uma musiquinha sem que nada aconteça
Chat da GolClique aqui para registrar uma reclamaçãoATENDIMENTO POR INTELIGÊNCIA ARTIFICIAL- sequer entende minha pergunta
Ouvidoria da Administração Regional do Guará98199-1064Não respondeu
ANAC – WhatsApp da Ouvidoria(61) 99155-4663Chat com atendimento humano, fornece informações genéricas
Assessoria de Comunicação do Aeroporto (Inframerica)(61) 998426034Atendimento humano, soube dar informações capazes de seguirmos na solução do problema
Ouvidoria do Aeroportoclique aqui para registrar uma reclamaçãoNão respondeu a mensagem nem gerou número de protocolo

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Projeto Corredor Verde http://nossoguara.org/projeto-corredor-verde/ Wed, 10 Sep 2025 18:59:24 +0000 https://nossoguara.org/?p=281

O Projeto Corredor Verde é uma iniciativa comunitária criada por moradores do Guará II com o objetivo de preservar as últimas áreas livres da nossa cidade, transformando-as em espaços verdes permanentes e acessíveis a todos.

Em um cenário de crescente pressão imobiliária, essas áreas representam não apenas a possibilidade de lazer e convivência, mas também a garantia de qualidade de vida, integração urbana e equilíbrio ambiental. Se perdermos esses terrenos, perderemos também a chance de manter o Guará II uma cidade mais humana e sustentável.

Defendemos que essas áreas sejam destinadas a fins ambientais, através do plantio de árvores e da criação de parques que garantam o livre acesso entre as quadras pares e ímpares, ou seja, entre as quadras “de cima” e as quadras “de baixo”.



ÁREA VERDE QE 34
ÁREA VERDE QE 17
ÁREA VERDE QE 19

A iniciativa proporcionará resultados a curto, médio e longo prazo. No curto prazo, trará espaços de convivência, lazer e integração, fortalecendo os laços comunitários. No médio prazo, proporcionará melhorias ambientais, como maior arborização e equilíbrio térmico, além de áreas educativas para crianças e jovens. E, a longo prazo, consolidará um legado de sustentabilidade e qualidade de vida, assegurando que o Guará II continue sendo uma cidade com identidade e respeito ao meio ambiente.

No entanto, esse futuro só será possível se resistirmos às pressões da especulação imobiliária. Cada metro quadrado construído em detrimento da preservação é uma perda irreversível para a coletividade. O lucro imediato de poucos não pode se sobrepor ao direito de todos de viver em uma cidade saudável, equilibrada e conectada com a natureza. O Corredor Verde é, portanto, também um ato de resistência e de responsabilidade cívica.

O Projeto Corredor Verde é mais que um projeto; é um compromisso coletivo de transformar o Guará II em um exemplo de urbanismo consciente e participação cidadã.

LOTES OCUPADOS PELA CONSTRUÇÃO CIVIL NOS ÚLTIMOS DOIS ANOS

A ocupação acelerada dos últimos lotes disponíveis no Guará II, como se vê nas áreas destacadas em amarelo, é uma situação de risco para sua sustentabilidade. O crescimento populacional precisa caminhar junto ao equilíbrio ambiental, respeitando o projeto original do Guará, que previa cinturões verdes essenciais para manter a qualidade de vida urbana. A cessão absoluta desses terrenos à especulação imobiliária comprometerá não apenas o bem-estar da comunidade, mas também a própria valorização da cidade, que perderá sua identidade e seus espaços de respiro. Preservar os lotes remanescentes como áreas verdes permanentes é uma decisão estratégica para garantir um futuro mais saudável, humano e sustentável para o Guará II.

Nesse contexto, solicitamos a preservação integral das áreas verdes localizadas entre as quadras QE 19 e QE 34/36, mais especificamente na QI 33. É preciso garantir que esses terrenos não sejam ocupados pela construção civil, mas sim dedicados ao bem-estar da comunidade. O projeto também prevê a criação de áreas de convívio e atividades educativas, fortalecendo o vínculo entre moradores e natureza. Queremos construir um Guará II que respeite o meio ambiente e valorize o futuro das próximas gerações.

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QE 42 se mobiliza e luta por melhorias http://nossoguara.org/qe-42-se-mobiliza/ Sat, 08 Feb 2025 16:16:45 +0000 http://nossoguara.org/?p=106



As quadras 38, 42, 44 e 46 do Guará II enfrentam desafios muito específicos, consequência de sua origem mais recente em relação às quadras de dentro do anel viário, ou Avenida do Contorno.

São muitos os problemas percebidos diariamente pelos habitantes dessa região. Se trata de uma conjuntura complexa, fruto de uma série de irregularidades que, acumuladas ao longo de diferentes gestões, criaram uma situação crônica de carência e precariedade estrutural.

O caso da 42

A QE 42, por exemplo, exerce um papel importante no fluxo de veículos que saem do Guará para a Candangolândia, Bandeirante e EPIA, e o mesmo funciona para aqueles que chegam ao Guará vindo desses locais, o que intensifica bastante o tráfego nessa quadra.

Ruas com total falta de sinalização
Placas ilegíveis

No entanto, era notória a falta de sinalização de trânsito pelas ruas da QE 42. Seja a sinalização horizontal ( faixas) ou sinalização vertical ( placas ) a quadra dispunha de pouquíssimos recursos para informar os motoristas que passavam por ali. Em alguns trechos, inclusive, se tornaram cenários de tensões entre motoristas, resultando em algumas colisões e atropelamentos, posto que a falta de informação visual favorecia as infrações.

Mobilização da Sociedade Civil


Neste contexto, vale destacar a atuação das prefeituras e comissões locais de moradores, buscando o diálogo com a Administração Regional e a Câmara Legislativa, no intuito de mobilizar os órgãos responsáveis pela manutenção da infra-estrutura no DF.

Ao longo dos últimos anos, a sociedade civil organizada se reuniu com o Administrador Artur Nogueira e sua equipe técnica, para explicar todas as necessidades que precisavam ser solucionadas. Foram, ao todo, mais de cinco reuniões presenciais, além de uma série de visitas técnicas nas áreas mais críticas da quadra.

Administrador do Guará Artur Nogueira
Deputada Distrital Dayse Amarilio

 E também buscaram apoio junto à representantes da Câmara Legislativa, em especial a Deputada Dayse Amarilio, que acolheu as demandas dos moradores, empenhando-se na articulação institucional junto aos órgãos competentes, liberando emendas focadas em melhorias na infra-estrutura, recebendo representantes das comissões em seu gabinete, visitando a quadra para ver de perto sua problemática.

O resultado foi uma sequência de aprimoramentos que merece registro, pois é fruto de uma ação conjunta envolvendo moradores, administração regional, parlamentares e órgãos do poder executivo.

Sinalização das Pistas

Após anos de espera, as ruas da QE 42 enfim foram contempladas com nova sinalização horizontal e pintura dos quebra-molas, dando mais segurança aos pedestres, ciclistas e motoristas, principalmente nos horários de maior tráfego, pois a quadra faz conexão com outras regiões, tais como Candangolândia e Núcleo Bandeirante, além das QEs 38, 44 e 46.

Instalação de Placas para os Conjuntos Habitacionais

Também foram instaladas placas de sinalização dos conjuntos habitacionais em todas as ruas da quadra, facilitando o trabalho dos entregadores de mercadorias, motoristas de aplicativos e funcionários dos Correios, além dos visitantes que frequentemente precisavam parar o carro para pedir informações sobre algum endereço.

Além de melhorar a orientação, as placas trouxeram maior segurança, posto que, em caso de algum acidente ou contravenção, fica muito mais rápido comunicar à Polícia, Bombeiros ou SAMU onde é o local da emergência.

Restauração do parque infantil e quadra de esportes

Outra conquista dos moradores da QE 42 foi a reforma da quadra poliesportiva e o parquinho infantil da praça de convivência. A areia do parquinho foi trocada por uma nova, os brinquedos velhos substituídos por outros mais modernos. A quadra recebeu uma nova camada de concreto, uma nova pintura para jogos de basquete e futebol, além da revitalização das muretas e novas cercas de proteção, que estavam enferrujadas e cheias de remendos.

“Agora podemos trazer nossas crianças para brincar perto de casa”, foram as palavras de Fátima do Nascimento ao Nosso Guará. Mãe de dois meninos, Fátima costumava levar os filhos para outras quadras, pois o parquinho não oferecia atrativos. “Perto de onde a gente mora fica mais fácil, e também me sinto mais segura, pois qualquer eventualidade estou a dois minutos de onde moro”, completou ela.

Retirada da areia velha do parquinho da QE 42
Instalação dos novos brinquedos, já com a areia renovada.

Coleta de entulho na mata do Bosque dos Eucaliptos

As quadras debaixo do Guará II contam com diversos santuários da natureza, entre os quais está o Bosque dos Eucaliptos, local onde se encontra diversas espécimes nativas da fauna e flora do Cerrado, berçário de aves de grande porte como o Carcará, além de um local excelente para o lazer das famílias.

Entretanto, uma parte do Bosque acabou se tornando um ponto de descarte irregular de lixo, deixando a pequena floresta repleta de entulhos, atraindo uma quantidade inacreditável de mosquitos. Apesar dos esforços de moradores voluntários para limpeza da área verde, foi necessário acionar os órgãos competentes para uma força tarefa especial.

Mais uma vez, a articulação entre Sociedade Civil, Câmera Legislativa e Administração Regional se mostrou uma estratégia infalível para solucionar um problema que até então parecia impossível. O SLU, cuja carta de serviço não prevê limpeza no interior de florestas, abriu uma exceção em caráter extraordinário, disponibilizando um caminhão e cinco garis que, ao longo de dois dias de trabalho, retiraram mais de 20.000 litros de entulho do bosque.

Instalação do Papa-Lixo

E já que o assunto é lixo, não poderíamos deixar de mencionar a instalação de um papa-lixo próximo à uma das áreas comerciais da QE 42. Uma medida importante no combate ao descarte irregular, infelizmente tão corriqueira em todas as regiões administrativas do DF.

A deputada Dayse Amarilio, responsável pela verba que viabilizou a obra, esteve presente na inauguração, ao lado de representantes da Comissão de Moradores e também de comerciantes da região.

Nova Ciclovia

Graças aos esforços conjuntos de Artur Nogueira, Dayse Amarilio e Fauzi Nacfur ( presidente do DER ) saiu do papel a ciclovia que conecta a QE 42 as novas quadras 48, 50, 53. Uma demanda pleiteada há mais de uma década pelos moradores da região, que antes precisavam transitar próximo à matagais, sem qualquer proteção frente aos carros que ali passam. Além da segurança, a ciclovia vem complementar as opções de lazer dessas quadras, caracterizadas pela franca expansão e crescente valorização imobiliária, sem esquecer do compromisso com a preservação ambiental.

Artur Nogueira e Dayse Amarilio debatendo a criação da ciclovia
Obras em processo
Mais segurança para ciclistas e pedestres

Desafios Futuros

Todas as melhorias mencionadas acima estimulam as lideranças comunitárias a seguirem lutando pelo bem-estar dos moradores em geral. Pessoas como Dona Graça, moradora da QE 42 há mais de trinta anos, e Genilda Santos, prefeita unificada da QE 44/42 são exemplos de uma sociedade civil empenhada a melhorar a qualidade de vida de suas respectivas quadras. Entretanto, há muito o que fazer ainda.

Dona Graça
Genilda Santos


Cercada por extensas áreas verdes, essa região do Guará tem um imenso potencial para se tornar referência de crescimento urbano em harmonia com a Natureza. As tendências do mercado imobiliário demonstram que parques públicos arborizados são pontos positivos para a valorização dos bairros, pois oferecem múltiplas atividades ao ar livre em locais brindados por sombras e animais silvestres. Entretanto, esses mesmos parques podem facilmente se tornar “terra de ninguém”, acolhendo marginais e se tornando depósito de entulhos, se acaso o poder público não adotar medidas adequadas.

A sociedade civil do Guará precisa aprender a buscar os apoios certos para garantir a preservação do meio ambiente e o uso consciente das áreas públicas sem afetar a qualidade de vida de seus cidadãos. Para isso acontecer, é preciso promover diálogos regulares entre moradores e autoridades competentes.


Independente de partidos políticos ou diferenças pessoais, todos saem ganhando quando nos unimos para a melhoria da infra-estrutura do local onde moramos.

Nem o Poder Executivo, nem os Parlamentares, nem os órgãos responsáveis pela manutenção do patrimônio são capazes de adivinhar quais são os problemas de cada rua, quadra ou região.

É aí que entra a força da população que se organiza para promover o bem-comum, impedindo que o interesse de poucos prevaleça sobre o direito da maioria.

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QE 34 perde dezenove árvores para construção de um estacionamento http://nossoguara.org/qe-34-estacionamento/ Sat, 25 Jan 2025 23:04:39 +0000 http://nossoguara.org/?p=20

Os cidadãos do Guará, especialmente aqueles que transitam pelos arredores da QE 34, amanheceram perplexos com um triste cenário.

Nada menos que dezenove árvores foram derrubadas em um dos gramados da quadra, transformando o que antes era um belo corredor de sombra em monturos de terra vermelha esturricando ao Sol.

O motivo da derrubada é a criação de mais um estacionamento para favorecer os comerciantes do conjunto R, logo em frente às árvores. Entretanto, a ação movida pelos comerciantes em busca de mais vagas para seus fregueses é, no mínimo, questionável.

Apenas doze assinaturas foram suficientes para que os órgãos competentes acatassem o pedido.

12 assinaturas derrubaram 19 árvores !!!

Imagem da alameda de árvores antes da derrubada
Visão aérea da alameda da QE 34

Assista ao Vídeo

Uma moradora, indignada com a ação, registrou o momento em que os funcionários da NOVACAP derrubavam uma mangueira com algumas décadas de vida. Uma triste cena que poderia ter sido evitada se as autoridades responsáveis tivessem mais zelo pela preservação ambiental.

Questões em aberto

Não fosse apenas pela inconsistência de um abaixo-assinado com apenas 12 assinaturas, uma vez que a pouca adesão aponta uma parcialidade na ação, sugerindo que outros setores da sociedade civil não foram consultadas, ainda há uma questão de ordem técnica que é preciso ser apurada:

Porque o estacionamento não poderia ser construído respeitando as árvores, uma vez que havia espaço suficiente entre elas para muitos carros poderem estacionar sob suas sombras?  Quem, em sã consciência, prefere deixar seu carro abafando sob o calor do sol, se pode deixa-lo à sombra de uma árvore? Essa questão, até agora, segue sem resposta.

Análise das documentações

Analisando as documentações relativas à ordem de serviço, pudemos detectar um trecho do Despacho SEI/GDF – 27494496, emitido pela SECRETARIA DE ESTADO DE DESENVOLVIMENTO URBANO E HABITAÇÃO DO DISTRITO FEDERAL, com a seguinte observação:

Devemos ressaltar a existência de vegetação de grande porte na área, que devem ser preservadas em sua maioria, sendo consideradas no projeto do estacionamento, contribuindo para o conforto e qualificação do local.

Também há uma lista das espécies arbóreas ali localizadas. Entre as dezenove árvores, havia seis abacateiros, uma jaqueira, três mangueiras, um ipê branco e um cedro, espécies nativas da flora do cerrado, sendo que o ipê é uma arvore protegida por lei.

Print do abaixo-assinado de apenas 12 assinaturas


Em outro documento emitido pela NOVACAP(SEI/GDF – 146816607), voltam a ressaltar a importância de preservar as árvores. Leia abaixo:

Diante das informações expostas, conclui-se que:

a) obras de calçada são dispensadas de licenciamento ambiental, conforme termos da
Resolução CONAM nº 10/2017

b) obras de estacionamento de veículos estarão dispensadas de licenciamento ambiental,
desde que, tanto a rede de drenagem do estacionamento, quanto a ligação da rede pluvial a um sistema de drenagem pré-existente, estejam aprovadas junto à Novacap, conforme termos da Resolução CONAM nº 10/2017

c) sugerimos esforços na manutenção das árvores levantadas, com destaque para id 5 (abacateiro) que, segundo nosso entendimento, há chances de ser mantida diante de breve deslocamento de calçada

Conclusões

A partir dos registros desta ação, podemos afirmar que o pedido da derrubada das árvores foi motivada por um interesse PARTICULAR.

1- A Clínica Levitar, localizada em frente à antiga alameda arborizada, foi a empresa que coordenou a mobilização envolvendo mais de 138 protocolos burocráticos até que as árvores fossem retiradas de uma área de convívio para toda a comunidade.

2 – A Administração Regional do Guará, chefiada por Artur Nogueira, levou em conta o pedido do empresário dono da clínica sem considerar as outras dimensões envolvidas à alameda em questão, no que se refere ao impacto ambiental e também de lazer, pois era frequente a presença de crianças moradoras da QE 34 brincando nas árvores.

3- Os órgãos envolvidos na ação ( COLIC, SEDUH,DIALIC, NOVACAP, DIMAVE, IBRAM ) falharam em garantir que as árvores fossem preservadas mesmo com a autorização para a criação do estacionamento. As documentações apontavam essa possibilidade, havia espaço para vagas entre as árvores, mas talvez tenha faltado vontade política para mantê-las vivas, fornecendo sombra para os carros.

4 – A Resolução CONAM nº 10/2017, que dispensa licença ambiental para criação de estacionamentos, precisa ser questionada pela sociedade civil interessada em manter a cidade arborizada, pois o dispositivo legal tem servido como amparo de ações inconsequentes como a ocorrida na QE 34.

Até o fechamento dessa matéria, algumas árvores ainda resistiam ao corte de seus troncos, mas dificilmente voltarão a ser como antes.

Com a crescente expansão do Guará, a preservação das nossas árvores tornou-se um quesito de primeira necessidade.

As árvores desempenham um papel essencial no controle do microclima, oferecendo sombra e amenizando os efeitos das ilhas de calor urbano, fenômeno causado pela concentração de concreto e asfalto que aumentam as temperaturas. Além disso, elas melhoram a qualidade do ar, absorvendo poluentes e liberando oxigênio, e proporcionam espaços de convivência mais agradáveis e saudáveis para a população.

Preservar as árvores guaraenses não é apenas uma questão estética, mas uma medida prática para garantir a qualidade de vida dos nossos moradores.

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